Para o navegador Amyr Klink o planejamento é a chave dos bons resultados

De 17 de dezembro de 2019Carta Eletrônica

Planejamento, inovação, superação e liderança foram os ingredientes da palestra do navegador Amyr Klink. Ele falou às lideranças da Usina Santa Adélia 35 anos após cruzar Atlântico Sul em cem dias, num barco a remo com 5,95 metros de extensão.

A viagem de quase sete mil quilômetros começou em Luderitz, na Namíbia, e terminou na Praia da Espera, em Itacimirim, próximo a Salvador.

Em 1989, viajou sozinho de Paraty à Antártica com o veleiro Paratii. Klink ficou na região durante um ano, depois foi até o Polo Norte e voltou ao ponto de partida. O navegador também fez duas viagens de circum-navegação da Terra.

“Eu viajei antes das transformações tecnológicas, não havia equalização, telefonia por satélite, tive que me tornar um rádio operador internacional, fiz curso, tirei carteira de capitão amador, aprendi trigonometria esférica para calcular a minha posição pelos astros. Era uma época muito precária em termos de navegação”.

“Eu aprendi a navegar na rua e não no mar, por ter medo e ainda temo ao mar, por isso faço barcos bem-feitinhos. Eu não perdi o medo, eu simplesmente aprendi a conviver com ele”, conta o navegador.

Pesquisei muitas coisas, técnicas de alimentação, vi que remadores tinham tentativas de encurtar caminho, mas que acabaram levando a correntes contrárias. Levei água para 106 dias e alimentos para 120. Tive que fazer estimativa, porque teria que levar tudo no barco, não poderia fazer água por dessalinização, por meio de osmose reversa”.

Na palestra, Amyr Klink trouxe um assunto imprescindível para o sucesso das organizações: o planejamento, traçando um panorama entre sua trajetória e o dia a dia de uma empresa. “No mar não pode haver falhas de planejamento, senão você morre”, sintetizou, afirmando o que pode ser o destino de muitas organizações que não se preocupam com o futuro.

Depois de muitas tentativas, ele conta que sua primeira grande viagem, a travessia a remo da África ao Brasil, só começou a tomar forma de verdade quando ele resolveu fazer um plano. O processo todo levou dois anos, e a viagem acabou sendo bem-sucedida. “A beleza de fazer um plano é que você começa a acreditar que coisas impossíveis são perfeitamente possíveis. Quando a viagem acabou, eu estava feliz, porque tinha executado o meu plano. Era tão legal cumprir um plano, as pessoas fazem tantos que não cumprem”, conta.

Ao longo dos anos e das novas viagens que fez, ele conta que sua visão sobre o planejamento foi mudando. “Hoje eu sei que planejamento é estar preparado para mudar o roteiro da viagem a cada 30 minutos e que a propriedade genuína que a gente adquire ao longo da vida são as experiências que a gente constrói.”

No mundo dos negócios, ele conta que mudou a visão sobre sua área de atuação também. “Nosso negócio é ser provedor de experiências únicas no mar, não é construir nem guardar barcos”.
Disse também que no mar há procedimentos de segurança, planejados com antecedência, para qualquer tipo de situação. Da experiência de exímio navegador, ele anotou um importante aprendizado dos “viajantes do mar”, que pode ser aplicado em qualquer plano de gestão estratégica. “Depois das viagens, com suas inúmeras tormentas e desafios, o legado mais importante são as anotações feitas nos diário de bordo, que possibilitam para outras viagens, a identificação de falhas e oportunidades de suas correções”.

Amyr Klink, que também é empreendedor na área de construção de barcos, o palestrante elegeu a disciplina como um item importantíssimo no âmbito da gestão.

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